Esses dias ao sair de casa resolvi deixar o coração...
Ele é grande demais... Carrega coisas de mais... resolvi sair sem ele só uma vez pra variar...
Coloquei minha melhor roupa e sai... Mais leve, segui minha velha rotina de uma forma nunca antes provada...
Tudo foi muito mais fácil...
Quando me deparei com as flores caindo da arvore em frente a casa, pensei. - Odeio ter que varrer constantemente as calçadas no outono...
Ao ver as pessoas sofrendo pelo meu caminho pensei simplesmente... "- Estão ai porque procuraram..."
Nada de sofrimentos com a dor alheia...
Chegando ao trabalho tudo foi muito mais fácil... O que não era responsabilidade minha apontei para o outro... E o que era culpa do outro fiz questão de dizer a todos, assim deixei bem claro que não tinha nada haver com isso...
Notei as faces se virando contra mim, mas não me afetaram tais atitudes...
A caminho de casa todos estavam com um semblante cansado, eu sempre tive o costume de imaginar o que esperava tais pessoas em suas casas...
"Talvez a moça gorda encostada na janela, esteja sonhando com a torta guardada na geladeira... O rapaz recem casado, espera pelos braços aconchegantes da esposa... A moça de meia idade torce para o transito adiar a solidão que a espera..."
A mim, nada afligia...
Esperava inerte a chegada - tirei o coração mas não o estomago - e o que me incomodava era a fome... nada mais...
Ao chegar e ver a casa vazia, nem a Tv pra fazer companhia quis ligar... não era necessário, desta vez, só a minha propria voz me bastava...
Um dos momentos mais libertadores do meu dia sempre foi o banho antes de dormir... A água quando caí nas costas cansadas vem como uma absolvição de pecados... Como tapinhas reconfortantes dizendo, "bom trabalho, você aguentou mais um dia... "
Mas dessa vez sem o coração foi só agua caindo...
Finalmente o sono...
A cama não tinha a mesma maciez de outrora, a sensação de paraiso não aconteceu neste dia...
Simplesmente fechei os olhos, a mente apagou, e eu não sonhei...
Analisando meu dia coloquei o coração de volta, certa de que havia feito a escolha certa...
Sem ele me livrei das dores culpas e lamentos... Mas pra isso sacrifiquei minha humanidade...
Vidinha mais sem graça essa sem coração...
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